O RIBEIRALISMO-02

Continuação
      Talvez fosse na escola onde mais aprendi a ser segundo
alguns “crítico”, para outros sou muito irônico. Na verdade
não sou crítico, sou realista, só que eu aproveito da realidade
para fazer humor e motivar às pessoas, mas nunca li nada dos
grandes pessimistas do passado, a não ser o pessimismo sínico
de Salomão. Com nós e assim, vamos levando a vida, o dia
que não der ela leva a gente! Sempre uso nós, sei que parece
ser “errado”, mas é um costume meu. Deixa com nós.
Algo que me marcou muito no ensino médio, em mil
novecentos e noventa e sete, foi a morte de Jacques Ives
Cousteau, eu era fã de seus documentários, como sou até hoje.
Para mim o mundo perdeu um grande homem, fiquei muito
triste quando vi o documentário no jornal da sua morte. Desde
criança eu sonhava em viajar em um navio assim como ele,
conhecendo novas civilizações e novas culturas. Conhecer o
mundo, que só conhecia, e como ainda conheço, só pelos livros.
E em noventa e oito, fiz algo que era muito bom você fazer
antes da informática, era a datilografia, ou dactilografia, você
ficava conhecendo bem o teclado, que era igual o do computador.
     Fiz datilografia na extinta Escola Maçônica Luz
e Caridade, comandada pelo professor Mário José da Silva, e
sobre a coordenadoria do Senhor Nelson que também
trabalhava na Câmara Municipal. Eram seis meses de curso.
Se não criou perna, o diploma deve estar lá em casa junto das
minhas coisas. Depois ainda no final do ano eu pude cursar
informática, nível básico de Windows 98. No “Projeto
Renascer” da Primeira Igreja Batista de Mantena. Televisão a
primeira que eu vi em minha casa eu tinha seis anos, era um
caixotão PHILCO, meu pai havia comprado e ao ligar em
casa lembro me do primeiro programa que eu vi quando ligou,
era o programa do Bozo. Não perdia um filme da seção da
tarde e o programa Mara maravilha, Zorro, magaiver, etc.

Religião

     Comecei a me interessar por religião aos oito anos,
meus pais nunca foram de ir seguir uma igreja, sempre ficavam
em casa, mas queriam que os filhos fossem, era eu e duas irmãs
mais velhas do que eu. Elas eram batizadas na igreja católica,
eu nunca tinha sido. Fui me batizar já velho em noventa e oito.
Comecei a freqüentar uma igreja que ficava perto da minha
casa, eu acompanhava um senhor de idade conhecido pelo
nome de Ezequiel. Todos os domingos eu estava eu com o
senhor de manhã e a tarde. Até que um dia eu usando um
cordão que ganhei de meu pai com uma linda medalha
pequena, a professora da escola Dominical uma senhora muito
fanática e extremista, parou a lição e disse que eu estava com
o retrato do diabo no peito. Nunca mais voltei naquela igreja.
Minha irmã chegou a passar por três igrejas, um ano numa,
dois anos na outra, enfim. Eu era obrigado ir com ela, visto
que era nova e meus pais não queriam que ela andasse sem
companhia, numa dessas fiquei conhecendo dois grandes
amigos; Paulo Henrique e Gesseni. Eu não era muito de ficar
dentro da igreja, porque sempre queriam que eu me assentasse,
e ate hoje não sou de ficar muito tempo assentado na igreja,
gosto de assistir o culto em pé. Assentado, só na escola, em
casa geralmente me encontro no sofá ou na cama com o corpo
um pouco inclinado, ate na hora de comer sou assim, e eu
também, só ia para acompanhá-la.

         A minha avó sempre foi religiosa, mãe de meu pai. Do
lado da minha mãe só conheci a sua avó, minha bisavó materna,
não prestava não. Chegava em minha casa, colocava eu e
minhas irmãs para limparem com ela o quintal e batia em nós
as vezes, chamava Didinha. Era o capeta, o bicho, como diz
meu amigo Ailton Viana; “era o cão comendo mariola”. Todos
nós criança não agüentava muita coisa, mas ela não via isso.
Meus pais não faziam nada, acho que tinham medo de também
entrarem no coro. Já apanhei muito de chinelo, com vara de
"guaximba” (um arbusto muito comum na nossa região. E no
quintal de casa naquela época), goiaba, etc. Só sei que quando
ela chegava o bambu lascava e o pau quebrava. Tínhamos que
pegar com ela no cacumbu da enxada para capinar o mato.
Fiquei feliz que um dia na hora do almoço minha irmã mais
velha encheu uma concha de arroz quente e jogou na cara dela.
        Oh maravilha! Mas o coro comeu. Agora a mãe de meu pai,
minha saudosa avó Alzira Alves, era uma ótima pessoa, eu
gostava de estar com ela, eu estava em sua casa todos os dias.
Desde os nove anos sempre eu passava nem que seja uma hora
por dia para vê-la e fazer compras para ela, serviços de banco,
ou ate mesmo acompanhá-la ao medico ou as compras e ate
mesmo na igreja. Minhas irmãs limpavam a casa para ela. Ela
sabia que a nossa condição financeira não eram boas, sempre
nos ajudava com calçados, roupas, alimentos, sinto muito sua
falta, e de ouvi-la contar a parábola do filho pródigo, a historia
que ela mais gostava na bíblia, contava para mim, e dizia que
era a que mais mostrava o amor de Deus juntamente com o
Salmo noventa e um. Eu tinha o maior medo de perdê-la
quando criança. Gostava de estar com ela. Minha avó com
Maria Rita, Olinda e Dona Eva formavam um quarteto da
Igreja que mais visitava e distribuía folhetos (todas com idade
acima de setenta anos). Foi através dela que conheci uma Igreja.

      Estudei a bíblia que ate então não tinha muito contato com
ela, mas já a tinha desde os sete anos, presente de minha avó.
Conheci Suas irmãs de Igreja; A loide, Magnólia, Darcila e
Jacinto (in memória) que todos os sábado à tarde em minha
casa ensinavam-me à bíblia e a tirar minhas dúvidas. Isso no
ano de noventa e sete. Fiquei conhecendo o Washington Carlos,
Romildo, Wilson e marcos todos dois filhos da magnólia
Coelho. E muitos outros. Dia vinte de dezembro de mil
novecentos e noventa e oito resolvi unir a uma denominação.
Passei por diversos departamentos da igreja na área de
evangelismo, conheci o Wilsinho que desde os oito anos
trabalhava com evangelismo, eu com dezesseis anos fui me
aperfeiçoando na área de ministério pessoal fora da igreja,
junto formamos durante anos uma forte dupla.
Como tinha forte conhecimento em historia, me
aperfeiçoei em palestras na área das profecias de Daniel e
Apocalipse. A primeira vez que subi em um púlpito eu tremia,
mas com o tempo fui me aperfeiçoando ate dominar a arte de
falar em publico. Tive um grande professor também, um
grande amigo, Aderson Ruela, hoje falecido. Eu o via falar,
pregar e expor com facilidade, que eu dizia comigo mesmo,
um dia serei igual ele ate mesmo no conhecimento bíblico e
falaremos de igual pra igual. E eu o alcancei, “um anão pode
caminhar ao lado de um gigante se apertar os passos” reza um
velho provérbio. Passava horas e mais horas da noite lendo,
sempre gostei de ter conhecimento para poder ajudar a outros.

      Em dois mil e dois, Eu, Wilson, Wellington, Jonas, Marcelo,
fomos chamados pelas igrejas adventistas de Mantena para
participar do “Programa Comunitário Vida Total”. Como
obreiros e evangelistas. O programa tinha como objetivo de
trabalhar com pessoas que queriam parar de beber e de fumar
seriam realizados todo o ano de dois mil e dois, no Antigo
Cine Teatro Império de Mantena, do meu amigo Arquimedes
Fernandes. Nós cinco e vários representantes das Igrejas
Adventistas de Mantena ajudamos o pastor com os lideres a
realizarem o evento, foi mais de seiscentas pessoas escritas no
curso, o cinema ficava lotado todas às noites. Tinha
brincadeiras, batismos, palestras sobre saúde, etc. varias pessoas
pararam de fumar. Foi muito bom, eu vestia uma roupa
caveira com máscara e com um cigarro grande fazia algumas
estripulias para o povo. Certa vez vindo do palco, subi
a galeria onde ficavam os camarins de frente para a rua.
E vi a luz do banheiro acessa, logo pensei se tratar do
Creone,um jovem que cuidava do cinema à noite.
Desliguei às luzesdas salas e esperei no escuro,
e ao sair do banheiro vi que setratava da nossa
saudosa irmã Nair. Coloquei a Mão em seu
ombro e lhe dei os cumprimentos de boa noite, ela viu aquele
rosto pálido da mascara, e saiu gritando pela galeria que havia
morto no cinema. E que iria pular, se caso o morto viesse
pega-la. Nesta hora tirei a fantasia e voei pela janela que dava
de frente para rua, e sai deslizando pelas marquises das lojas, e
fiquei quieto por alguns instantes, o pastor continuou a programação
sem entender o alvoroço, o Wilsinho quando foi
subir a galeria, vinha uma pessoa rolando dela em sua direção,
e todos descendo aos gritos. E nesta hora Maria Nunes chega
a Irmã e a acalma dizendo: “Deixa de ser boba mulher! que
pular o quê?” “não tem nada lá”. Você deve ter visto algum
ladrão. Depois que o tumulto passou em voltei pela janela e
encontro o Wilsinho e o Rodrigo, Romildo e Marcelo Ribeiro,
que estavam esperando o ladrão voltar. Foi engraçado e
como sempre o Wilsinho com sua velha frase: “você me Põe
em cada confusão!”. E um dia eu vi uma bicicleta na porta do
cinema parecida com a do Weliton, peguei sem falar come
ele, pois eu precisava levar às palestras do programa a voz da
profecia na rádio tropical FM. E ao voltar tinha que descer
um morro asfaltado, e havia um caminhão, desse que recolhe
lixos, parado, foi nesta hora que eu vi que a bicicleta não tina
freios. Só me veio na mente uma coisa: colocar os pés no chão
e virar a roda dianteira de uma vez. Foi o que fiz. Não cai, mas
passei um grande aperto, mas consegui parar perto do
caminhão, ao chegar ao cinema, coloquei a bicicleta no
mesmo lugar e fui procurar o Weliton, eu disse a ele que
tomasse cuidado, pois sua bicicleta esta sem freios, ele apenas
me respondeu que tinha ido de carona e não de bicicleta. Eu
pensei pronto, cumi o gambá errado. Neste ano conheci
Dario Pereira e João Diniz, que auxiliou na conferencia com
produção de Propagandas. Em outubro do mesmo ano, a
convite do Sargento Ronaldo e do professor Wanderlei,
fomos convidados para realizar uma conferencia na cidade
de São João do Manteninha, e juntos participarmos da
fundação da Igreja Adventista naquela cidade. A conferência
durou dois meses, foi muito bom, ficamos conhecendo
pessoas novas, weliton e Wilson, também deram uma força
na cidade. Já havia bastantes membros da igreja na cidade e
precisavam de um templo.

         Tínhamos o terreno, a igreja foi construída com ajuda
das Igrejas de Mantena, e de mutirões todos os domingos,
feitos com pedreiros e serventes da igreja, eu estava lá para
dar o apoio moral para turma. Todos os domingos saiam
carros cheiros, Gercimário com seu carro, Reginaldo com seu
carro funerário cheio, Ronaldo, Wanderlei, iam bastantes
pessoas, vou arriscar a falar os nomes de alguns: Silvestre,
Josino, Élson, Wilson, Wiliam, Everton, Reginaldo, Rubens,
Carmindo, Gercimário, Romildo, Pr. João Bosco, Jésus, Val,
Weliton, Wanderlei, Guiné, Gil, João Ribeiro, João Baiano,
Ramón, José Castorino, Eugênio, Danilo, Moisés (esse tirado
do seco mesmo), Luiz, Antonio, Zuza Ruela, Abdias, Daniel
Cantor. E varias irmãs que iam para a casa da Irmã Aparecida,
para ajudar no almoço da turma. Entre elas a esposa do
 Sargento Ronaldo, Mirvânia. Era muito animado, trabalhávamos
brincando conversando, rindo, era muito bom.
Aconteceu um fato que achei muito engraçado, certa
vez ao terminarmos a conferência, fomos em direção a casa
da irmã Aparecida para jantarmos, estava ameaçando chuva,
e nós íamos depois da janta pegar carona com um ônibus que
viria de Itabirinha de Mantena da Inauguração da Igreja nesta
cidade. Relampejava muito, e perto da casa da irmã em frente
da rodovia 381, ficava um posto de gasolina, tinha um obreiro
que ajudava na conferencia de Mantena, e fora naquela noite
nos ajudar em São João, e também ver sua namorada, naquela
época ele era solteiro. E na volta para a janta ele sentou-se em
um banco entra a casa da irmã e o posto de gasolina para
namorar. Estávamos Jonas, eu, a irmã e vários outros em volta
da mesa e do fogão a lenha, quando a irmã aparecida
perguntou pelo rapaz, eu levantei e fui chamá-lo. Em frente à
casa da irmã havia um poste e uma pequena árvore. Vi os
dois juntos, a moça agarrava em suas orelhas e puxava e o
beijava, voltei sorrido e me perguntaram o que houve, disse
apenas que perto do posto estava pegando fogo! A irmã
Aparecida, como era conhecida, que se encontrava em pé
gritou: Jesus! Caiu um raio no posto. “O Jonas saiu correndo e
todos foram atrás. “Igual toucinho no saco” com diziam os
antigos. Eu fui e subi no poste para ver, quando os dois olharam
viram varias pessoas atrás da arvore em uma fila indiana,
olhando para eles, dona Aparecida me perguntou pelo o fogo,
disse que eu me referia ao fogo no banco do casal e não ao
posto, foi muito engraçado. Foi um tempo bom aquele.
         Eu me lembro que fiquei conhecendo uma jovem muito
simpática e amiga, era a jovem frentista do Posto dessa Cidade.
Lindair, um dia em Mantena conversando com ela, perguntei
perto do Romildo, se ela estava feliz, ela me disse que estava
apesar do último dia do de Comícios para as eleições para
prefeito, jogaram no comício de seu pai uma corrente à noite
no poste de luz da cidade, e com isso, a cidade ficou sem luz
ate a CEMIG vir e consertar, já havia passado da meia noite,
hora que encerraria as campanhas eleitorais, e com isso seu
pai, ficara prejudicado, não pode fazer seu último comício.
Romildo como sempre gozador, foi ate a igreja onde trabalha
de selador, trouxe um metro de corrente que tinha guardado,
e falou com ela; “foi essa que o Juliano jogou e trouxe pra
mim” o meu amigo Rodrigo Melado, que é outro porqueira,
estava passando na hora, e disse para o Romildo que havia me
dado uma carona de são João a Mantena, no dia do ocorrido
e que eu estava com “uma corrente na mão.” Lindair só ria,
pois sabia que eu jamais faria uma coisa dessas, era como
sempre mais uma gozação do Romildo, aliás, em Mantena
temos pontos de encontros de humor e causos, sempre quando
vou à Mantena, procuro esses lugares para me atualizar e se
divertir. Perto da Rodoviária é a Refrescauto Radiadores, sobre
o comando do Sr. Osvaldo e Washington, ali se reúne Fábio
Amaral (Fabinho), Geovani (cunhado do Washington)
Geraldo Alvim, Marcos, Wilson, depois mais a frente à
Sapataria do Sr. Antônio sapateiro a Barbearia do Lico e do
Quinzinho, a mercearia Alves, lugares que eram freqüentados
por meu pai.
Na Rua Gabriel Duarte Pereira (antiga Canuto Saraiva)
O Bar do Sr. Adão, ali reúne a comunidade do bairro para
prosear nos finais de semana à noite, meu tio Saulo Rodrigues
comanda a festa, Pedro, o Beguinha, Eliezer, Aderaldo, Silas,
Cabinho, Antônio, ou toin, Ataíde, Jaime, Sansão, Acrísio,
Padim, ou Geneci, José e muitos outros, ali o pau que rola é
humor, histórias, futebol, política, religião, causos, conselhos,
jovens e velhos todos juntos numa animação sem igual, Pedro
Ramos como sempre, pegando no pé do meu tio, cada dia ele
inventa uma história do meu tio para contar, é só risos, tem
também durante a semana a Casa Ribeiro, ali é outro ponto
de encontro Cultural, sobre o comando de Ésio Ribeiro, ali
freqüentam vários pintores, varias pessoas para comprar
materiais de pintura e conversar um pouco, ali encontra
grandes amigos meus, temos ali nossas reuniões, são
conhecidos por “os mestres”, “os doutores da lei”, e muitos
outros, como mestre Valdir alfaiate, mestre Romildo Sudré,
“Luciano Ribeiro “Doutor da Lei” e segunda dinastia casa
ribeiro comanda os debates, expressões que entre nós, sabemos
o significado. Wilson e seu irmão Marcos. Também freqüenta
João Diniz, Reginaldo Monteiro, Batista (sogro do Reginaldo).

        O Senhor Guerrinha (em memória) tinha ao lado do senhor
batista, a cadeira cativa. Ésio Ribeiro, Elmiro, Wesley,
conversávamos diversos tipos de assuntos sadios, assuntos
bíblicos, política, religião, humor, causos. E Anderson Barbosa,
também participa desconfiado como índio, só fica olhando
em seu canto e rindo. Mais pra frente temos a Rádio Arte,
outro ponto de encontro, só de humor, comandada por José
Romano, Carlinhos Romano e Adilson.
Indo para o bairro de Vila Nova tem Candinho
Despachante, onde freqüenta Dário, Adilson de Abreu,
Juliano e vários outros amigos. Ainda não posso esquecer-me
de um ponto legal de encontro, é o Salão do Sivio Cabeleireiro.
E não posso esquecer-me da Relojoaria Pacheco, do meu
amigo Joel Marquesino e do Bar do Alzirim, dos meus tios,
Alzirim e Sônia. Tem o estúdio JD. Mineiro gosta muito de
conversar, é bom ajuda o dia a passar mais rápido.


Dois mil e três

           No ano de dois mil e três eu começava minha vida como
poeta, escrevi um poema com o titulo de “Os Mártires”. Na
época enviei-o para a “Revista na Poltrona”, e no mês seguinte,
La estava meu poema na revista, junto ao documentário de
uma grande poetisa, Cecília Meireles. Dali em diante eu recebi
incentivos de meus amigos para continuar escrevendo. Meu
sonho era publicar um livro.
          Nós às vezes, colocamos esperanças em coisas que
pensamos ser a solução para a vida. Arthur, Márcio, Leila,
Eurípedes, Neuzânia e amigos de escola me incentivaram e
acreditaram em mim. Sem recursos comecei a escrever e nessa
época conheci Dario Pereira, ele trabalhava como locutor na
Rádio Tropical FM. Juntos tínhamos idéias e compúnhamos
poemas com temas que iam de encontro aos ouvintes da Rádio.
Conheci João Diniz e Édson Martins do Estúdio JD. Com eles
eu gravava alguns poemas narrados por mim. E tentava
divulgar o meu trabalho na esperança de alguém se interessar
por ele. Eu acreditava que deveria fazer o mundo me conhecer,
e isso deveria ser antes deu bater às botas, ou abotoar o paletó,
como muitos dizem. Quantas vezes eu escrevi para o
Governador do meu Estado. Só recebia eram cartas de seus
chefes de gabinetes (por sinal deveriam ser muitos, pois cada
carta era uma escrita, um nome) me parabenizavam pela atitude
e diziam que não havia recursos para me ajudar no projeto.
       Escrevi para o Ministro da Cultura e só recebi foi cartas e
telegramas (algo que transmite com urgência) assinados por
seus chefes e secretários de gabinete me parabenizando. Sabe
essas pessoas que você chega até elas e pede ajuda e elas
começam a lhe dar atenção. Conversa com você, enrola e
enrola e até chora com você, e no final você sai da sala dela
sem receber nada, mas sai satisfeito? Como foi triste para mim,
ao chegar um dia na secretaria de educação de minha cidade e
ver o meu projeto ainda guardado na sala da secretária e na
sua mesa engavetado. Um dia conversando com um Deputado,
ele me disse que mostraria meu livro a Secretaria de Educação
do Estado de Minas Gerais, mas ele me trouxe a noticia que
para eles meus poemas eram fúnebres e sem valor literário.
     Essa doeu mais forte, pois era meu sonho de jovem e gostaria
de deixar algo para geração futura registrado. E que capeta
que os outros têm de se intromete no que o outro escreve,
dizendo que acha que isso ou aquilo ficaria melhor. Queria ver
meu livro nas mãos das pessoas. Havia até mesmo pensado
em jogar tudo fora, mandar tudo pras “cucuia de gancho.”
Passou um tempo, estava eu conversando com Jackson
Antunes pelo telefone. Consegui o seu número e resolvi ligar
para falar com ele. Afinal ele é um grande artista e intérprete
da nossa cultura popular. Tanto como cantor, ator, ele é uma
pessoa que sabe representar bem nosso povo. Liguei para sua
casa e me falaram que ele estava ensaiando para uma
apresentação que iria fazer naquela noite. Mas mesmo assim
resolveu me atender. Ele me animou e me disse para não se
desesperar, pois sabia o quanto era difícil em nosso país um
artista ser reconhecido. Disse-me que ele mesmo já havia
passado por isso, cheguei até enviar algumas cópias de poemas
para ele, ele gostou muito dos poemas. Despedi-Me e ele me
desejou muito sucessos na vida e não desistir nunca. Nesse
período até cheguei a compor uma homenagem ao poeta
Rubinho do Vale, grande cantor, poeta, violeiro, que resgata
a cultura do Vale do Jequitinhonha, de Minas em geral e do
Brasil. Enviei para ele uma letra de folia de reis também e
depois liguei para seu escritório em Belo Horizonte. Onde
seu empresário me tratou super bem, e me explicou que o
Rubinho se encontrava viajando. Mas que ele havia recebido
o poema e a letra da música folia de reis. Mandou-me dizer
que gostou muito e fosse passado o endereço do escritório
dele em Belo Horizonte, para que quando eu fosse à capital os
visitasse, onde eu seria muito bem recebido. Fiquei muito feliz
ao ouvir palavras vindas de uma pessoa que eu sempre admirei
muito e sempre acreditei nesse menino que começou por baixo
e hoje quando se fala em folclore, cantiga popular, musica
infantis, festas de reis magos, é a maior autoridade no assunto.
Resolvi continuar. Comuniquei depois disso algumas vezes
com Rubinho por email. Espero um dia ir a seu escritório
conhecê-lo pessoalmente. Eu não tinha emprego fixo, era difícil
para eu publicar um livro. Mas sempre trabalhei em alguma
coisa, nunca gostei de ficar parado, meu primeiro emprego
lembro-me quando eu estava na quarta série do primário, eu
era ajudante do senhor Lemiro Leite, em uma capotaria, dessas
que se reformam sofás, fiquei muito tempo. Junto do Lemiro
trabalhava o Aloir sapateiro, o Carlinhos eletricista. Meu pai
nunca foi fã de seus filhos trabalharem enquanto estavam
estudando, mas eu queria ser independente. Minhas duas irmãs
nunca quiseram estudar, há moças na vida que não tem cabeça
para estudar (não digo todas, algumas) só pensam em namorar
e ter família e casa para cuidar. Já fui um pouco de tudo nesta
vida. Eu, Wilson, Marcos, Marcelo, João, Washington,
Romildo, e muitos outros, trabalhávamos em troca de favores,
um ajudava o outro, e quando o outro precisava, o outro
pagava também com troca de favores. Serviços fixos eu não
tinha, eu e o Wilson procurávamos, era difícil encontrar em
lugar pequeno, a procura é grande, e às vezes quem não precisa
arruma devido a influência da família.

          Neste mesmo ano eu e meu companheiro Wilson,
fomos chamados por um amigo, se é que assim posso dizer
Para irmos trabalhar em São Lourenço com vendas de livros.
Sai mais o Wilson às três horas da tarde de uma terça-feira, e o
combinado que ao chegarmos em Juiz de Fora, um rapaz iria
nos levar para um departamento de vendas e dar almoço e
logo depois voltaríamos para a Rodoviária para embarcarmos
para continuar a viajem, chegamos depois de uma viajem
cansativa, às seis da manhã em Juiz de Fora, mais quebrados
do que arroz de terceira, devido o estado do ônibus. Ligamos
para o dito cujo, ele pediu para que esperássemos perto de
um orelhão, esperamos até o meio dia, e nada, foi quando
ligamos para o rapaz e ele nos informou que depois que o
ligamos viu que estava sem carro, e não poderia ir nos buscar,
fui, mas o Wilson e compramos a passagem para Caxambu,
três horas da tarde já estávamos chegando nesta bela cidade
histórica, e como histórica, sempre gosto de ir às bancas de
revistas, e ao ir à banca de revista e voltar, Wilson me perguntou
o que havia de novo, eu disse que nada, só vi de longe a revista
Play Boy da Andréia Sorvetão, ex paquita da Xuxa. O Wilson
falou admirado; “nossa, isso que é parar no tempo! Eu era
menino pequeno, quando saiu essa revista. É as coisas não
mudaram muito!” ficamos até as quatros da tarde de quartafeira
pegamos outro “Busão” fomos para São Lourenço, aonde
chegamos ao endereço onde haveria um grupo de jovens
morando, que iriam vender livros religiosos conosco. Foi
grande a recepção, em uma casa de seis cômodos já havia quinze
e chegariam mais cinco, fora o líder que iria trazer o material.
       Fomos recebidos, e logo foram buscar colchão para nós. Dois
empoeirados, uns dois molambos, a alergia do Wilsinho atacou
na hora. Mas tudo bem, cavalo dado não se olha os dentes, o
banheiro era precário, sem portas, comida dependeria do que
eu vendesse para sobreviver, estávamos dispostos a tentar nova
aventura longe de casa. Quando foi na quinta-feira a tarde
chegou o chefe com o material. Disse-nos que iríamos sair às
sete da manhã e ele só aceitaria nós todos de novo às vinte
horas. Para comermos venderíamos umas revistas velhas por
cinco reais (lembrando que nesta cidade histórica, o valor da
refeição era muito alto). E vender revistas velhas, difícil. O
líder do grupo tratava com aspereza, muito rude, e vender
livro não é fácil, ainda mais livros religiosos. Conversei com
alguns que já estavam a anos tentando arrumar um dinheiro
para ir estudar em alguma escola, sonho de quase todos aqueles
jovens que estavam ali. Disseram-me que os gastos eram demais
com aluguel, comida, eventuais despesas dos livros, era
raridade quando alguém conseguia vender dois mil no mês,
alguns, dizem que conseguiam até doze mil.(sempre tem alguns
com histórias mirabolantes, papos de vendedor) Mas o pior
era a pressão do chefe e sua ignorância. E os dias que choviam
você não sairia, e sem vender, sem comida, difícil. Andei com
o Wilsinho aquela quinta-feira pela cidade, linda, uma cidade
muito bela e turística. Fomos até o templo da Eubiose,
belíssimo templo grego. Belas praças e água mineral de graça
nas bicas. Muito bom o lugar. Virei para o Wilsinho e perguntei
o que ele achava, ele concordou em voltar comigo, estávamos
desmotivados. Vender livros não é fácil. Ainda mais caros,
não sei o porquê que os livros religiosos têm que ser mais
caros do que os comuns. Fiquei numa decepção tão grande
mais o Wilsinho, até hoje, nunca mais li um livro religioso. Já
cheguei a comprar, mas para doar para algum amigo, ganhei
alguns, que tenho guardado, faço coleção de livros, gosto deles,tenho muitos. Falei com o chefe que voltaria para Mantena,
dava pra ver a nossa decepção, tudo que nos falaram de bom,
vimos ao contrario, decidimos se fosse pra passar dificuldades,
passaríamos onde somos conhecidos.

        Neste ano já tínhamos deixado às conferencias de lado.
Quando você esta na liderança de algo, é comum você
encontrar objeções, seja em qualquer lugar e até mesmo
trabalhando em algo religioso. Encontrei muito, quantas vezes
mais o Wilson, batíamos de frente com alguém para fazer o
que era certo. “Se você quer ser um líder, prepare-se para ser
criticado”. Com isto, foi desanimando, chega um ponto que
você enjoa da mesma rotina, e trabalhando para o responsável,
via coisas erradas que poderiam mudar, mas que ele não queria,
por isso achei que o melhor é afastar-se. Você vai desanimando,
quando você parece que levou uma pancada na idéia e
esqueceu tudo que sabia sobre algo, sinto-me assim, eu diria
que sou como diria o Saudoso Mestre Bezerra da Silva: “Eu
não sou santo, se eu fosse santo estaria no altar, com um olho
colado na missa, outro no padre. Mas calado eu não iria ficar”.
Não gosto de “Rodeios”, nem verbal e nem animal. Vou direto
ao ponto. Assim fiz algumas pequenas rixas, que até hoje não
conversam comigo. Mas não estou nem ai. Dou também como
Lincoln, “graças a Deus pelos meus inimigos, por sempre
dizerem quem eu sou”. Devido essas coisas, faz algum tempo
que não participo do ritual que o cristianismo chama de “Santa
Ceia”. Dizem que os “que participam tendo assuntos
pendentes tomam para sua própria condenação”. Então em
respeito, prefiro não fazer de forma errada algo sério. Não
tenho nenhum rancor dessas pessoas, só deixo pra lá. O Wilson
voltou comigo e prestou vestibular, hoje ele e seu irmão são
formados em Rochas Ornamentais, ou melhor, são Tecnólogos
em Rochas Ornamentais. E sua Irmã uma professora de
sucesso. Minha avó desejava que eu fizesse teologia. Também
já tive a vontade, hoje não tenho mais, prefiro seguir outro
rumo, como disse não tenho alegria como antes eu fazia. E o
chamado de Deus é para pregar o evangelho e para isso você
pode estar em qualquer profissão e o servi-Lo. Não precisa
ser só teologia. Eu fiquei em Mantena. Tentei varias vezes
vestibulares. Mas sem esperança.


Dois mil e quatro

         Em dois mil e quatro, fui chamado por um amigo, Joel
José Germano, para trabalhar como pré-posto de
Representante comercial com ele para a Sociedade Comercial
Magalhães Boaventura, conhecida por Grupo EMBRASIL/
SOCOL. Foi uma experiência muito boa. Fazíamos varias
regiões, ficamos conhecendo varias pessoas e foi muito bom.
Vendíamos bem, e ganhávamos comissão. Rodamos nessa
região de mantena igual noticia ruim. Às vezes eu ia de carona,
outras vezes íamos juntos. E assim íamos levando a vida. Já
andei tanto a pé nesta minha vida, de carona, a noite, não tinha
medo de andar a noite como meu pai tinha. Quantas vezes eu
acordei de madrugada, e sai às presas pelas ruas para enfrentar
fila nos postos de atendimentos ou nos Hospitais para que
meu pai doente com pressão alta, outra hora enfarto, ou ate
mesmo com pneumonia fosse internado pelo SUS (Sistema
Único de Saúde). Ou ate mesmo para minha avó, tinha o maior
medo de perdê-los.

          Lembro-me de uma vez que eu mais o Joel estávamos
na cidade de São Félix de Minas. Ele pediu para eu atender
um cliente, ele já sabia que ele era demorado, como eu tinha
mais paciência, o atenderia e faria o resto das lojas. Ele não
era muito bom de compras, era seco de corte, quando o assunto
era comprar. Chequei na venda e ele estava no balcão, isso
eram às nove da manhã, quando o Joel chegou estava já fechando
o pedido ao meio dia, Saímos com presa do local
para outra cidade a trinta kilômetros, chegamos a São José do
Divino, o Joel se lembrou de ter esquecido sua maleta na venda
desse senhor. Ele voltou e ao chegar lá para raiva dele, o
homem no Balcão, vira para o empregado e diz: “Não falei
com você que os vi saindo sem a maleta, e que eles só iriam
lembrar-se dela quando chegasse La na outra cidade?”. O
homem nos viu saindo sem ela. Fez isso de maldade. Mas tudo
bem, continuamos a nossa viajem.

      Nós às vezes almoçávamos pão com banana prata. E
jantávamos decentemente. Era bom, Joel continua viajando
até hoje, eu acho. Lembro-me que hospedávamos em uma
cidade numa pensão, e todas as vezes que hospedávamos nela
acordávamos com um radio ligado no quarto ao lado passando
uma velha musica do cantor Teixeirinha, “triste morte
dolorida”, ou “coração de Luto” só me lembro que a letra
falava de um jovem que foi para a escola e ao voltar sua casa
havia pegado fogo, e sua mãe havia morrido queimada. (que
musica para começar o dia! os quartos com duas camas eram
os mais baratos, cerca de quinze reais, Joel com sua lábia,
conseguia por dez). O Joel certo dia acordou irritado e me
perguntou o que era aquilo? Qual era o nome do choro? Eu
não sabia naquela época o nome da musica, disse a ele que
pela letra, era churrasquinho de mãe o nome da musica. O
Joel com os olhos de butuca em mim virou para o canto da
cama enquanto dizia: “meu Jesus amando”. Depois a senhora
da pensão perguntou se o Joel havia dormido bem. Ele disse
“que havia dormido se não fora o churrasco de mãe ao
amanhecer”, a mulher, creio eu ficou sem entender até hoje.

Dois mil e cinco

      Foi para mim, um ano muito triste, pois neste ano perdi
minha avó com aneurisma cerebral. Foi muito triste. Meus
tios e tias todos reunidos, seu irmão Aderito Antônio ferreira,
o qual eu considero como tio, esteve com meus primos e
primas no velório e meus tios que moravam no Rio de janeiro,
com meus primos e primas também estiveram presentes.
Infelizmente não pode estar presente meu tio Samuel
Rodrigues que se encontrava em Portugal.
Minha avó em uma semana foi adoecendo, a  internamos,
e minha tia Aparecida dormia com ela no Hospital. Eu em
casa tentava consolar meu pai e meu tio Saulo que estavam em
uma situação de muita tristeza. À noite eu ia para o Hospital,
e como não era permitido dormir dois no quarto com o
paciente. Eu pulava a janela do Hospital, e minha tia dormia
ao lado na cama reserva, lembro-me de uma noite, quando
ela entrou em coma profundo. Antes ela havia gritado o meu
nome, e quando eu aproximei, ela tentou me dizer alguma
coisa, mas entrou em coma profundo. Eu dormi em cima de
um travesseiro, eu o encostei ele de forma que a metade se
apoiava na parede e a outra no chão, ai deu para eu ficar ali. O
Wilsinho teve noites que ficou comigo até mais tarde,
auxiliando no que precisasse buscar na casa de meu tio. Meu
pai fazia dó de ver, Dr. Wanderson, Carlos Coimbra e Roni
Resende e A incansável Darci Santos, ficavam confortando o
Saulo e meu pai.

       Infelizmente no final da semana ela morreu. Foi triste,
a Igreja deu a ela um lindo velório, a Karina, neta da dona
Elizabeth, ou a Baianinha como é conhecida, fez para mim,
lindos folhetos com o histórico de minha avó, desde o se
nascimento, o ano que veio para a Igreja Adventista, seus filhos,
a parte da bíblia que ela mais gostava. Foi velada na Igreja,
enquanto meus tios e primos estavam a caminho de Mantena.
Sua grande amiga Maria Rita, pediu para enterrá-la em jazigo
de sua família, simbolizando assim uma homenagem a sua eterna
amiga. Sinto a falta de minha avó ate hoje, mas assim é a vida,
todos nós passamos por isso um dia, cabe a nós fazermos o
que puder para o outro em vida. E nos preparamos para tudo
nesta vida de menos para a morte. Não sou uma pessoa que
gostaria de viver muito, eu ate falo que o pior castigo que Deus
possa me dar em vida, é me deixar viver muito. O importante é
não viver muito, mas cada dia com o próximo como se fosse o
último. Como se não existisse o amanhã, todos os dias eu me
levanto da minha cama porque eu ainda acredito na humanidade.
O dia que Deus ver que eu já fiz tudo que podia para meu
próximo, pode me chamar que irei. Não sei se ganharia como
reza o cristianismo, a salvação. Nem penso nisso, se me
perguntam se eu tenho certeza da minha salvação? Digo que
não sei, Deus é quem sabe se eu mereço ou não. O que Ele
decidir. Aceitarei com prazer, Deus sabe o que faz. Deus é justo.
Gosto Dele. Como diz Gerçon Cardoso (com Ç mesmo);
“Mesmo que a gente não ganha à salvação. Vamos continuar
neste caminho mesmo”. Você agora deve estar entendendo o
nome do livro, Ribeiralismo. Como diz meu amigo Marcos
Franklin; “Ribeiralismo tem Ribeiralistas”, aqui eu conto um
pouco da minha trajetória. Mas também minhas idéias,
dialogando com você, daí o Ribeiralismo.

A Grande Loja da Fraternidade

      Eu mais o Márcio Gonzaga já tivemos a idéia de formar
um grupo humanitário que visassem a ajudar os outros, onde
as pessoas trocassem idéias, motivação e auto-ajuda, e fizessem
ate negócios financeiros juntos. Eu cheguei ate escrever
como seria essa sociedade. Mas nunca mostrei ao Márcio e ao
Dário o que eles achariam da idéia.
Seria assim: na verdade abriríamos uma “Loja de
Amigos” ou a “Grande Loja da Fraternidade”. Onde teria
como ênfase uma sociedade filosófica humanística
motivacional. Onde encontraríamos para lermos, filosofar,
conversar, ajudar uns aos outros, traçarem planos para
negócios, enfim.
teríamos hierarquias, e cada membro seria motivado a
crescer dentro do grupo. O presidente receberia o titulo de
“Marquês”. Presidente do conselho geral da sociedade. O vice
seria o “Duque”. O secretário o “Aquirduque” ou um vice do
Duque no conselho geral. O tesoureiro o “conde”. O secretário
de organização “Visconde” ou um vice do Conde e atuaria
como vice-tesoureiro, e o “Barão” uma espécie de conselheiro
chefe do grupo menor. Todos os outros fariam parte de um
grupo maior que envolveria a irmandade e que votaria nos
lideres do grupo menor. Votariam projetos, encontros, festas,
palestras, etc. a hierarquia começaria com escudeiros,
cavaleiros, senhores, terceiro cavaleiro, segundo cavaleiro,
primeiro cavaleiro, primeiro conselheiro, e o ultimo
“contratador” (chefe do grupo maior, o senado). E depois ia
subindo de cargo ate o Marquês. Crescimentos através de
estudos humanísticos, projetos, ajudas, oratória, etc.
Ao lado do Barão. O primeiro conselheiro ocuparia a
parte de organização e seria o orador oficial do grupo. E
responsável mais o Contratador, pelo grupo maior perante o
grupo menor.

        O salão de reuniões haveria uma mesa menor com o
formato de uma estrela e no interior dela uma cadeira, o
primeiro conselheiro, representante do senado, com seus
auxiliares abaixo do Marquês assentados em cadeiras em cada
lado da mesa em forma de estrela para ouvir conselhos e
opiniões, formando assim o círculo menor. E em volta uma
grande mesa em forma de circulo, onde se assentariam todos
os outros formando assim o circulo maior ou Senado. E na
frente duas cadeiras. Nela se assentaria o marquês e o
contratador. Um simbolizando o circulo menor, o outro o
circulo maior. A estrela símbolo de luz. Cinco colunas da
verdade: Deus, princípios, amigos, família e pátria. O Marquês
por anos de atuação e idade, ao sair do cargo após outras
eleições receberia o titulo de Grão-mestre. A mesa redonda
símbolo de liderança em conjunto e onde todos são lideres e
responsáveis. Sabe se La em algum lugar do futuro, eu e o
Marcio e o Dário, não talvez dessa forma, possamos colocar
essa idéia de adolescente em pratica.



Dois Mil e Seis

       Dois mil e seis foi um ano bom, nele continue como
pré-posto de representante comercial. Foi o ano em que fiquei
conhecendo também o pastor João Bosco, e decidi mais ele
fazermos o Programa a Voz da Profecia ao vivo todos os
dias, pela Rádio Tropical FM, 98.7. Eu mais o Wilsinho, em
dois mil e dois, colocamos o programa da rádio ao ar. Juntamos
alguns amigos que patrocinavam o programa, e a Voz da
Profecia do Rio de Janeiro mandavam os CDS com os
programas. O programa tinha muita audiência, só que com o
tempo ficamos sem patrocinador. Algumas pessoas religiosas
que nos ajudava, não quiseram mais. Era difícil, eu mais o
Wilson éramos obreiros na época, e às vezes tirávamos do
próprio bolso, para pagar o programa. (naquela época só
ganhávamos um salário). E com não apareceu ajuda para continuar
com o programa. Apelamos para muitos cristãos que
tinham como manter o programa, mas achavam que era desperdício
pagar algo que as pessoas gostavam, e os programas
já vinham pronto, o único trabalho era de levar os CDS na
rádio, mas isso eu e o Wilson fazíamos com prazer.
Ficamos tristes, pois segundo que eu aprendi o maior
púlpito que existe no mundo é a vida pessoal, a imprensa, o
rádio e o jornal. Decidimos abandonar então a idéia de sermos
em Mantena representantes da Voz da Profecia. Passaram
algum tempo, um grande amigo, o Marcelo Vieira Lima
(Marcelo Ribeiro), voltou com o programa ao ar, tinha o
patrocínio de Casa Ribeiro (Materiais de construção),
Neuroclin (Clinica de Neurologia do Dr. Wanderson Coelho)
e de TEKOL (Tecidos Coimbra). Que abraçaram a idéia de
levar as Irradiações do Programa a toda região. Dessa vez
não ajudei mais. Estava no meu canto, apesar de sempre eu
gostar de Rádio. Neste ano, um dia conversando com o Pastor
Bosco, decidi voltar à direção do Programa fazendo o ao vivo
oito dias da semana às oito da manhã. Era muito bom, João
Diniz fazia as vinhetas, eu o restante da Produção do Programa
e a sonoplastia, a apresentação e os dias que o pastor não podia
ir, eu fazia as mensagens. Recebíamos pedidos de visitas, de
oração, elogios, era muito bom poder ajudar as pessoas com
mensagens, conselhos e orações. Algo que eu me lembro, que
a rádio ficava no quintal do Sr. Vanilton Carbell, depois a
direção da rádio passou para José Carlos. Vanilton tinha um
cachorro muito rabugento, que atendia pelo nome de
“Konan”. Ele era já de idade, parecia mais velho do que a
mãe do sarampo, seu pêlo era uma mistura de cor, que parecia
que estava já caducando em seu corpo. Não sei o porquê, ele
não gostava de mim, todos os dias ele corria no quintal atrás
de mim. Até a porta da Rádio. Eu gritava com ele: Konan o
Bárbaro! Que bárbaro! Pronto, La estava eu correndo, gostava
também de fazer raiva nele, se uma pessoa não gosta de mim,
ai sim que eu dou mais motivo pra não gostar mesmo. Dizem
que até o mal feito a gente tem que fazer bem feito, se não, vai
se arrepender do quê depois? Mas era um bom cão, uma vez o
amarraram na porta da rádio, e agora? Quando o Pr. João
chegou e aproximou-se dele e tirou sua corrente que estava
presa a porta, e para minha surpresa, não se importou com o
pastor, mas saiu correndo atrás de mim e o pastor segurando
à corrente acompanhava ele. Eu falei com ele que já dava para
perceber serem eles da mesma “Laia” ou “curriola”. Gosto
dos animais, La em casa havia um gato que certa vez eu
encontrei na rua, pena que durou com a gente apenas um seis
anos, foi antes do combinado e passara para andar de baixo.
    Foi morto por algum passarinheiro perto de casa. Meu pai
gostava muito de brincar com ele, apesar de não saber
pronunciar muito bem seu nome, que era Koranchim, ele o
chamava de Karônche. Era um bom gato ranjado.
Era muito bom, e às pessoas gostavam do programa
A Voz da Profecia, foi durante todo o ano. Todos os dias.
Certa vez eu aprendi que “Rádio é igual cachaça, vicia e não
dá dinheiro”. É muito bom, gosto muito. O rádio ainda é o
maior meio de comunicação. Há pessoas, principalmente
idosas, nas roças, ou até mesmo na cidade, que seu único
companheiro é o rádio. Apesar de tanta comunicação no
mundo, milhares de pessoas perecem por falta de comunicação,
uma incoerência. Mas é a mais pura verdade. Estamos correndo
tanto atrás do pão nosso de amanhã que morremos de fome
hoje. É raridade você ver a noite um vizinho conversando
com o outro como a época que eu alcancei. Hoje cada um
chega tarde para seu lar, liga a TV e assistem “Programas de
risos artificiais”, e vão dormi como se já estivessem se divertido
muito, e no final de semana, ficam o dia todo em volta da
TV ou computador. Ninguém conhece ninguém, cada um se
isola entre os muros da sua casa.

      Acho que o pai nosso se fosse escrevê-lo na linguagem
dos nossos dias seria; “O pão nosso do amanhã, dá-nos hoje,
para que assim tenhamos a certeza que não faltará amanhã.”
Trabalho, se você bobear, você passa mais tempo nele do que
com a família e os amigos.
Neste mesmo ano Edmilson Costa, professor de artes
e teatrólogo e grande amigo. Convidou-me para junto de
Márcio, Thais e Anthéia e ele formarmos o grupo “Cena
Show”. Grupo de Artes Cênicas de Mantena.
Foi uma experiência muito proveitosa, o que eu mais
gosto no teatro é de observar às facetas do comportamento
humano. Tenho algumas peças de Shakespeare que sempre que
tenho tempo, recorro-me a elas para refletir nos personagens.

      O Dimas (como eu o chamo) um dia ele falou com o Wilsinho,
outro amigo que ele gostava desse nome, perguntou ao Wilson
se era algum nome bíblico. O Wilson disse que segundo a
tradição Dimas, era o nome do bom ladrão que havia morrido
no madeiro ao lado de Cristo.

      Edmilson não se importou, apenas disse uma velha de
suas expressões; “Bacana”. Ele é um gênio para escrever peças
teatrais, às vezes eu voltava para casa conversando com ele
mais de onze da noite, despedíamos e ele apenas me dizia que
estava com vontade de escrever. No outro dia às oito da
manhã, nas reuniões do grupo La estava Dimas com uma peça
teatral pronta. Escrita a noite. O Cena Show fez algumas
apresentações em Mantena e região. Eu não continuei no
grupo, devido meu trabalho com vendas e eu acho muito difícil
fazer outro temperamento diferente do meu. Humor que faço,
provoco risos, pantomimas e papeatas, faço isso de forma
natural, sátira, como diz o meu amigo Romildo Sudré; “Juliano
é como o Bocage do Cordel, uma lenda viva do humor”. Neste
ano resolvi filiar-me ao Partido Comunista do Brasil-PCdoB.
Estava organizando neste mesmo ano o Comitê Municipal em
minha cidade. Sempre fui Comunista com os pés no chão, creio
eu que não deveriam ter cortado às etapas, como foram tiradas
e tentado implantar o estágio final que seria o comunismo (a
doutrina de pré-requisitos para emancipação do proletariado).
Com todos os erros, pois não há sistema que não erre. Lênin
foi o único que teve peito para colocar idéias que antes era só
no papel em realidade. Com todos os defeitos, e acusações,
hoje diminuiu as horas de trabalho, que eram dezesseis horas
por dia. Hoje você trabalha oito horas, dentro de seis horas
você já produziu o seu salário, duas horas a mais é o lucro do
patrão e você não recebe por elas. Agora imagine naquele
tempo que se trabalhavam dezesseis horas por dia? Alguns
países não souberam implantar o comunismo. Marx é igual à
bíblia onde todos citam e falam, mas são poucos que param
para estudar a fundo, para dar a interpretação certa. Ou
distorcem para usar para seus próprios fins. Isso não quer dizer
que o comunismo em si é ruim, mas quem o manipula. Pois
Marx alguns anos a trás, foi considerado pelo mundo “o maior
filósofo de todos os tempos”. De Sócrates até ele, ele fez um
apanhado geral e resumiu tudo. Se não fosse o comunismo
possivelmente hoje não haveria ainda carteira de trabalho e
algumas regalias que existem hoje, como sindicatos, direitos
trabalhistas, etc. Marx era realista, sabia que sempre existiria a
luta entre o capital e o trabalho, mas deveríamos se unir em
sindicatos para lutar por nossos direitos. Sempre existirá
alguém querendo explorar o trabalhador, em outras palavras,
enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé. Gosto do
lado Humanista do Comunismo. Hoje Marx está na Sociologia,
psicologia, Pedagogia, Economia, Antropologia, História,
Filosofia, teologia, etc., mas chega de falar de Marx, lembrando
que “só há evolução, quando há revolução.” Voltamos para o
que interessa a você amigo leitor: Mas devido aos estudos tive
que parar com a direção do partido, pois teria que sair de
        Mantena para estudar e quem estava disposto a me ajudar na
estrutura do partido havia mudado de Mantena, o senhor
Ulisses Pantaleão.
Neste mesmo ano passei no vestibular do Centro
Universitário Adventista de São Paulo - UNASP. Para cursar
licenciatura em letras. Arrumei tudo, tive o apoio de todos os
meus amigos. Lembro-me como se fosse hoje eu na
Rodoviária de Mantena, na despedida, lá estava meu pai,
(minha mãe tinha ficado em casa chorando). Esta magnólia
mãe do Wilson e do Marcos, grandes amigos e companheiros
de Igreja. Washington Carlos, Fábio Amaral, Loide e Sandra
Ferreira e Darci Satlher Santos (pessoas amigas e irmãs que
sempre me ajudaram e me ajudam quando eu preciso),
Carmindo Bento, João Diniz, Romildo Sudré. Estavam naquela
tarde de novembro para me apoiar. Do Ônibus eu via meu
pai com seu velho boné no rosto, escondendo as lagrimas de
alegria e de tristeza pelo afastamento. Afinal eu era dos três
filhos o que mais passou tempo com eles e os ajudou em casa.

Alegria pelos estudos e o triste falecimento de meu pai
        Foi uma experiência muito boa, sempre quis cursar uma
faculdade, letras e historia são minha paixão. Depois de seis
meses, conheci colegas de Letras e de demais cursos e
professores maravilhosos. Fiz bons amigos. Em julho nas
férias, era hora de voltar para casa para contar a meus pais
como tinha sido a experiência. Passei primeiro em Belo
Horizonte, na casa de um tio do meu pai, o qual também eu
considero como meu tio. Conversei com ele e com meus
primos, gosto de visitá-los, me sinto em casa. Têm eles uma
oficina de caixas de som “A Ferreira Caixas Acústicas”. Nesta
oficina trabalham dois primos meus, Luiz e Ricardo Ferreira,
lá é igual boteco, a gente houve musica MPB o dia todo,
conversamos de cultura, religião, política, humor, mulher, e
muito mais. Na casa de meu tio reúne meus primos e primas
no final de semana. A família é muito unida. É um ótimo ponto
de encontro na Rua Palmeira Imperial perto do Parque da
Colina. Fiquei dois dias com eles, mas senti algo ruim, como
se algo estava para acontecer. Era um sábado a tarde de dois
mil e sete do mês de julho. Viajei naquela noite para mantena,
na rodoviária fui ao orelhão e liguei para casa avisando que
iria chegar às cinco horas da manhã de Domingo. Ao chegar
lá estava meu pai na rodoviária me esperando e conversando
com o seu amigo Zezinho taxista. A rodoviária fica uns cinco
minutos de casa a passos largos. Foi muito bom ver a alegria
em sua face. Fomos juntos para casa, eu estava com duas malas
de rodinhas, falei com ele para pegarmos um táxi, mas ele
disse que não queria, então fomos conversando e ele me
perguntando como tinha sido, contou-me que esta um pouco
doente, e assim fomos, passei perto de uma ponte onde havia
um cachorrinho, que sempre quando eu voltava tarde da noite
me acompanhava ate em casa onde eu o dava algum agrado
para que ele pudesse matar a fome. Ele se chamava “Barão”
era a primeira vez que eu via um animal pobre e com um titulo
nobiliárquico desses. Perguntei-me por ele, mas meu pai me
dissera que ele havia morrido, logo pensei que alguém maldoso
havia dado “bola pra ele”. Chegamos em casa, minha mãe me
abraçou, entrei com as malas enquanto meu pai fechava o
portão, minha mãe mostrava me a guaribada que meu pai havia
dado na casa por dentro. Quando falamos cadê o pai? Fomos
chamá-lo e ele se encontrava caído no beco de casa, perto do
portão. Chamei-o, tentei animá-lo, mas era em vão. Minha mãe
gritava “não me deixe Devair, você falou que nunca iria me
deixar”. Sai correndo e fui à casa do visinho e muito amigo
dele o Sr. José Rodrigues e sua esposa Celi Rodrigues, ele
colocou o carro para fora, e nisto veio o outro vizinho o Sidney
e sua esposa para ajudar. Colocamo-lo no carro. Mas já dava
para ver que tinha sido um infarto fulminante, fomos para o
pronto socorro do Hospital Evangélico de Mantena, Mas o
médico, ao examiná-lo, disse que infelizmente ele já havia
morrido. Nesta hora senti-me sozinho. Pensava mais em minha
mãe do que em mim, fui ao orelhão e liguei para João Diniz,
Magnólia e meu tio Saulo. E de repente La estava meu amigo
Márcio que fazia plantão neste dia, do meu lado, depois
apareceu mais amigos e irmãos de Igreja: o Wilson, marcos e
Magnólia de Souza, meu amigos João Diniz e Washington
Carlos, Jose Rodrigues, Reginaldo Monteiro, Saulo Rodrigues,
Lindebergue, Ideraldo e muitos outros me dando apoio.
        Trouxeram minha mãe, depois fui com eles providenciar o
velório, o corpo foi velado na Igreja Adventista de Mantena.
Todos meus amigos e irmãos de igreja estavam La comigo e
com minha mãe. Olhei e vi-adentro da igreja chorando, nesta
hora agradeço a Deus pela família de amigos que tenho e pelos
meus vizinhos, a Elza Sobreiro e seus filhos Gina e Adriano e
Maria Nicoline e Celi Rodrigues, Darci santos, vizinhos de
muitos anos estavam com minha mãe neste momento tão
difícil. Eu olhava para ela dentro da igreja e só vinha em mim
uma pergunta: o que será de minha mãe agora? Ela havia
perdido sua companhia de trinta anos, era como se seu
mundinho houvesse desabado para sempre. Não saberia o que
fazer agora sozinha. No velório juntou bastante gente, amigos,
parentes, irmãos de igreja, Pastor Josué fez o Sermão Fúnebre.
Meu pai estava seguindo a igreja, ainda não havia se batizado
e resolvido seguir definitivo uma religião. Mas já havia parado
de fumar a seis meses, cigarro que o acompanhava desde os
oito anos de idade. Sofria de hipertensão crônica e do coração.
E ainda com um metro e sessenta, estava com mais de oitenta
quilos, acima do normal para sua altura. Naquela tarde eu já
estava cansado. Fui para casa e no outro dia, como tinha apenas
um mês, procurei reformar a casa para minha mãe sentir-se
mais segura, coloquei tranca nas portas e janelas que eram de
madeiras, consertei alguns canos de água que estavam com
vazamentos, fiz alguns rebocos que estavam já descascando,
por meu pai se encontrar doente, ele estava fazendo esses
serviços aos poucos. Tinha dias que eu pegava das sete da
manha e ia ate às oito da noite. Mas consegui deixar as coisas
arrumadas, transferir a pensão para minha mãe. Coitado de
meu pai. Foi um bom homem apesar de toda sua ignorância.
Era simples, honesto, estava sempre disposto a ajudar as
pessoas, era muito cismado, qualquer coisa, cismava com as
pessoas. Ficava com a pulga atrás da orelha. Sempre o respeitei,
durante o tempo que morei com meus pais, fui um bom filho.
Sempre quando ganhava algo, ou alguma comida diferente,
eu levava um pouco para meus pais, aprendi com eles a
compartilhar. Nunca tiveram o que reclamar de mim, esse
pecado eu não vou levar pro inferno. Sofreu muito quando
era criança, às vezes não tinha nem o que comer. Entrou no
DER, perdeu toda sua saúde trabalhando de sol a sol e às
vezes à noite debaixo de chuvas, passava meses fora de casa.
E foi construindo nossa casa ao poucos, uma casa simples
com cinco cômodos, em um lote de onze metros por vinte e
dois, lote que ele mesmo foi cavando aos poucos, pois era
meio rampado o lote, no final dele deu mais de dois metros
de barranco, foi cavado todo em um ano e seis meses. Nossa
casa era meia água. Aquelas casas só de uma caída, estilo
“cachorro sentado”. Estava precisando de uma reforma.
        Depois de um mês era hora de partir e deixar minha mãe
sozinha. Aquele semestre foi difícil, só pensava nela e como
ela estaria. Mas fiquei sabendo que meus vizinhos e amigos e
irmãos de igreja estavam dando ela um grande apoio.
Reformaram para ela a casa. Casa que estava no nome do meu
pai, ele dizia que sempre que algum dia um filho precisasse, ali
teria um lugar para morar, falava para nunca vender ali.
Colocaram portas de ferro, a senhora Loide Ferreira e outros,
doaram janelas, magnólia conversou com meus amigos, sei
que todos a ajudaram. Mais tarde recebi algumas fotos enviadas
por uma amiga a Karina Ruela, me dizendo que minha mãe
havia se batizado e estava se sentindo acolhida na igreja. Estava
feliz e não precisava se preocupar. Fiquei mais tranqüilo.
Dizem que “antes só do que mal acompanhado”. Mas
é sozinho mesmo que se arruma má companhia (gosto dos
contra provérbios) No inicio de dois mil e oito, fiquei sabendo
que ela estava morando com um companheiro e que era a
terceira dele. Já havia se passado seis meses da morte de meu
pai, tudo bem concordo que as pessoas precisam de
companhias, e se o cego acha que precisa de bengala, que use.

       Quando fui visitá-la em dezembro de dois mil e oito. Ela
morando com esse cara, ela de cinqüenta e cinco anos e ele de
quarenta e oito, também aposentado. Notei que ela já estava
um pouco estranha comigo. Já não era mais aquela senhora de
respeito que odiava bares, e não gostava de sair à noite. Meu
pai saia ao dia e a noite sempre estava com ela sem casa vendo
televisão ou do lado de fora tomando uma fresca (sentados
do lado de fora, devido ao calor, antes de dormir, é comum
isso em minha região). Agora estava diferente. É natural, há
pessoas que quando arruma um grande amor, esquece de tudo,
da vida, dos outros, dos amigos, acham que o mundo é só os
dois. Tenho amigos que depois que se casaram, ou quebrou se
financeiramente, ou perdeu os amigos por ciúmes, então passou
a viver fechado, só ele com a esposa, ou ela com ele. Eu se
algum dia casar continuarei sendo a mesma pessoa e dando
atenção ao lar, é claro, mas nunca esquecendo os velhos amigos
e sem ciúmes, veja esta historia que um dia encontrei na internet:
“Conta uma lenda dos índios Sioux que, certa vez,
Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda
do velho feiticeiro da tribo e pediram:
Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nós nos
amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta
ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro
até a morte. Há algo que possamos fazer?

        E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão
apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
– Há uma coisa a fazer, mas é uma tarefa muito difícil e
sacrificada. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte
da aldeia com apenas uma rede, caçar o falcão mais vigoroso
e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia da lua cheia. E tu,
Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima,
encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com
uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura e logo partiram
para cumprir a missão. No dia estabelecido, na frente da tenda
do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as
do saco e constatou que eram verdadeiramente os formosos
exemplares dos animais que ele tinha pedido.
– E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.
– Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés
com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltemnas
para que voem livres.
         Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os
pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram
apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela
impossibilidade de vôo, as aves arremessaram-se uma contra
a outra, bicando-se até se machucar. Então o velho disse:
– Jamais esqueçam o que estão vendo, esse é o meu
conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem
amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão
arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a
machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês
perdure, voem juntos, mas jamais Amarrados.
Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar
com as próprias asas. Essa é uma verdade no casamento e
também nas relações familiares, de amizade e profissionais.
Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas.
A lição principal é saber que somente as pessoas livres
serão capazes de amá-lo como você quer e merece. Respeite
também as suas vontades e voe em direção às realizações da
sua vida. Tenho certeza que, ao ser livre. “Você encontrará
pessoas felizes que adorarão voar ao seu lado.”
Minha mãe saiu da igreja, essa pessoa fez com que ela
tomasse raiva dos vizinhos e das pessoas que a ajudaram nos
momentos mais difíceis, não ia mais à igreja. Os móveis velhos
de casa deu para os outros tudo que fazia lembrar meu pai. E
comprou tudo novo. Do meu pai só me restou uma foto dele
e um relógio oriente com mais de vinte anos. O qual dei de
presente para meu tio Aderito que considerava meu pai como
irmão. Meu pai fora criado com os pais dele. Ele quando viu
o relógio, seus olhos encheram-se de água, e me disse que era
o presente mais importante que ele havia ganhado. Meu pai
para ele era mais que um sobrinho e sim um irmão que cuidou
de seus avôs como se fossem seus próprios pais. Ele era grato
ao meu pai por isso. Fui para Engenheiro Coelho e fiquei
sabendo que minha mãe havia vendido tudo de novo. Indo
morar no Rio de Janeiro, alguns móveis ela havia doado. E
minhas coisas estavam lá com a casa já alugada e estava com
raiva de mim devido eu não ter assinado para ela vender a
casa. Quando tentei falar com ela e não consegui. Fiquei tão
triste aquele instante. É triste você sentir desprezado. Mas já
estou acostumado com a vida. Fui ao final de dois mil e oito,
tirei tudo que eu tinha em casa que já estava embalado, entre
eles, meus livros, gosto de fazer coleção. Levei para a casa do
meu tio Saulo que me deu um quarto para morar, grande
amigo, sem falar que vários outros amigos me ofereceram suas
casas. (o que tenho que falar, eu falo mesmo e não escondo, é
verdade mesmo). Desde então voltei em dois mil e nove, para
a Cidade de Engenheiro Coelho para terminar meus estudos.
Minha mãe vendeu nossa casa em no mês de maio de dois mil
e nove. Minhas irmãs que moram no Rio de Janeiro, também
assinaram para ela vender. Gosto da minha casinha. Do meu
quintal com as plantinhas que quando novo ajudei a cuidar, e
do pomar de frutas, quantas vezes eu pedia ao bom Deus que
enviasse chuvas para que elas não morressem, e também para
refrescar minha casa coberta de Amianto. Estou no último
ano de letras. Graças ao Bom Deus um tio meu, Samuel
Rodrigues, Esta financiando meus estudos, quando a
alimentação e aluguel, tenho recorrido a diversos serviços entre
eles de pintura de casa, atualmente me encontro dando aulas
eventuais na escola estadual Antonio Alves Cavalheiro.
Professores amigos e dedicados com a educação. Há nesta
escola bons funcionários e também bons alunos. Há última
vez que tive um contato com uma de minhas irmãs (após mais
de dez anos que ela saiu de casa e não deu mais noticias) foi
através de um site de relacionamentos. Não tenho nada contra
elas, que Deus dê a elas um bom lugar. E eu seguirei a minha
para ver que final vai dar, se dará alguma coisa, não sei paraonde vou e nem o que me espera. Quis vender, tive que deixar.
Para depois mais tarde não falar que eu fui o culpado da
felicidade dela. Moro perto do Centro Universitário
Adventista de São Paulo-UNASP. No bairro conhecido por
Universitário, no lendário “Hotel Escola”. Em Engenheiro
Coelho São Paulo. Conheci no bairro e no Hotel e na escola,
pessoas muito amigas e cristãs, sem falar em varias outras
pessoas amigas que conheci. E muitos outros que muito me
ajudaram e me ajudam até hoje. E agradeço a Sandra Ferreira
de Mantena. Ao Pastor João Bosco, que sempre estão ligando
para mim, ver como estou e se estou precisando de algo.
Esse é meu último ano de Letras, não sei se voltarei a
Mantena. O futuro dirá o que fazer. Não conto toda minha
trajetória (ribeiralismo) afinal quando há visita em casa, você
só mostra o que pode mostrar. Apenas um pouco da minha
historia. No final de dois mil e oito, também recebi uma noticia
triste. Monique Azeredo, filha da minha ex-professora e minha
amiga Leila Prado, me escreveu um email me falando que havia
perdido os avôs maternos. Fiquei muito triste, pois também
os conhecia, eram pessoas muito especiais, quando fui à
mantena fiquei sabendo da historia, uma historia bonita apesar
do final triste. O pai da Leila havia sido internado devido a
complicações do coração, e por causa dos fortes sedativos ele
havia perdido os rins. No hospital havia ficado tão depressivo
e fraco que viera a falecer. Quando falaram com sua esposa
que o Sr. Ezequias viera a falecer. Ela apenas olhou para o céu,
e disse que “não agüentaria viver sem ele”. Foi-se desfalecendo
nos braços de sua filha, como uma rosa devido ao calor
do sol escaldante. Levaram-na para o hospital, mas foi em
vão. Morreu agarrada nas roupas de seu esposo que passara
cinqüenta anos juntos. Foi um abalo para a Leila e para toda
sua família. Mas uma cena que ficou registrada no tempo. Um
casamento de cinqüenta anos. Ali naquela hora “a promessa
ate que a morte nos separe” fora cumprida. Hoje às pessoas já
entram no altar pensando no divórcio. Eram um exemplo de
pessoas, fico feliz por ter tido a oportunidade de conhecer a
família da Leila e seus queridos pais. Assim já estou
desfalecendo meus escritos, agradeço a sua companhia até
aqui. Espero que algum dia alguém tenha compaixão de mim
e termine esta obra para você ter o final dela, ou acrescente
algo mais da minha vida, vista por outro ângulo e por outra
mente realista ou critica. Eu te vejo no futuro. Se eu pudesse
viver de novo, não queria mudar nada, queria apenas assistir
minha vida. Não acrescentaria nada e não tiraria nada, sou
feliz por ser o que sou. Gosto de ajudar meu próximo isso me
faz bem. A vida é boa, só quando tem sentido nossa vida,
quando ajudamos outros, sentimos útil. Por isso não tenho
nada que reclamar da vida, ela sim com certeza tem muito que
reclamar de mim. Mas ai é problema dela. Vamos vivendo a
vida, o dia que não der ela leva a gente. Esquecendo o amanhã
e vivendo o presente. Devemos pensar que um dia partiremos.
E o que nós temos deixado para os outros? Eu vou, mas às
minhas obras continuam e às suas também. Sucessos a você e
obrigado pela sua companhia.
Julio Ribeiro Cortez-2009-Manuscritos



Mestre Valdir Alfaiate
Na igreja temos muitos amigos e humoristas, nos
encontros sociais é só risos e festas. Entre eles, não posso deixar
de destacar mestre Valdir, um grande alfaiate e filósofo de
rua e nas rodas de amigos põe pra quebrar ele e o mestre
Romildo. Certa vez eu estava na igreja, quando o pastor estava
pregando sobre reavivamento. Então me aproximei do Valdir,
em reverência e com a cabeça baixa eu disse a ele: Raboni, o
pastor fala em reavivamento, o que senhor acha de
comprarmos caixas de Redbull, e tacar no povo?
Essa hora todos nossos amigos estavam de olho nele.
(Principalmente Marcelo Ribeiro que gostava de um trem mal
feito). Ele abaixou a cabeça, fechou os olhos e olhou para
mim e disse: “Redbull dá asas, e quem dá asas é o bicho”
Todos os amigos que estavam fora da igreja assistindo a cena
não deixaram de aplaudi lo, pois afinal até pra falar besteira
tem que ter uma cabeça boa.

Robinho ou Róbson, como é conhecido nas ruas
de Mantena
        Robinho é um grande conhecido meu, é sobrinho domeu tio
Saulo Rodrigues e é uma pessoa bem humorada. Um
filósofo de rua e humorista, sempre é comum nas horas vagas
encontra lo nas portas dos comércios da cidade falando de
política ou filosofando sobre a vida e cumprimentando a todos
os Cruzeirenses com a famosa “Saudações Celestes”. Nunca
esqueço sua frase famosa em seus conselhos, que “o tempo é
o senhor da razão. E a pressa a inimiga da perfeição”. Um dia
perguntei a ele como foi que ele parou de fumar ele me disse
que havia colocado em casa a carteira de cigarros na mesa aberta,
e havia falado o seguinte sozinho: “você esta ai, não nasci
com você na boca. Se eu não colocar você na boca, você não
vai sair voando daí. Capeta quero ver se você é homem, pega
Lá e põe na minha boca. Quero ver! Foi uma luta nos primeiros
dias, minha boca chegava a ficar dormente. Mas resisti e hoje
não sinto mais falta dele. Estou bem com saúde e paz”.



Metamorfose

         Quando cheguei de pouco em Engenheiro Coelho, fiquei
algum tempo no internato da faculdade. Lá eu trabalhava
sete horas por dia em troca dos estudos. Conheci muitas
pessoas amigas e estudantes assim como eu. Entre eles Paulo
Amâncio, Cléberson, Elizeu, Eliezer, Joaquim, Saulo e muitos
outros. O Paulo era um grande amigo e tinha um bom humor.
Nos sábados que tínhamos que trabalhar. Eu preferia trabalhar
com ele. Pois conversávamos muito sobre a vida e ele gostava
de filosofar e rir, então juntava a fome com a vontade de
comer. Certa vez eu trabalhando mais ele e conversando com
uma grande amiga a professora Fátima Budim, sobre palavras,
disse a ela que em Minas Gerais quando você fala a palavra
“metamorfose” com algumas pessoas de idade eles associam
essa palavra com merda. Eu não entendia o porquê disso. Foi
quando ela olhou para mim e disse que eles estavam certos,
pois a merda também passa por uma transformação
(metamorfose). Todos nós batemos palma para ela. Realmente
ela havia filosofado bonito.